• Advertisement

  • CRISE PRISIONAL: Após onda de rebeliões em Goiás, 102 detentos seguem foragidos

    12 de janeiro de 2018

    Diretor da Secretaria de Administração Penitenciária admite o risco de novas rebeliões

    Pelo menos 102 detentos que fugiram durante rebeliões em presídios de Goiás seguem foragidos. A maioria é do Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia. Nessa unidade, 87 internos do semiaberto, dos mais de 200 que saíram durante o motim realizado no dia 1º, não retornaram ou foram recapturados. Outros 11 detentos deixaram o Centro de Inserção Social (CIS) de Luziânia após um deles serrar as grades — quatro já foram localizados. No começo desta semana, quando a situação parecia estar controlada, 10 menores fizeram agentes socioeducativos de reféns e fugiram do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Goiânia — cinco já retornaram.

    20180112003154144568o

    Apesar de o governador de Goiás, Marconi Perillo, afirmar que o estado está seguro, motins e fugas nas unidades prisionais revelam fragilidades no sistema penitenciário. Na noite de quarta-feira, cinco detentos fugiram da Casa do Albergado de Goiânia. De acordo com a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP), dois foragidos foram recapturados. Com pelo menos três unidades de internação registrando fugas, Goiânia está sitiada em meio à guerra de facções criminosas. A Polícia Militar se desdobra para tentar recapturar os fugitivos, ao mesmo tempo em que o Batalhão de Operações Especiais, a tropa de elite da PM, é chamado para reforçar a segurança nos centros de reclusão.

    O coronel Edson Costa, diretor da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), que foi criada após a onda de rebeliões, admite que existem riscos de novos motins. No entanto, acredita que a situação melhorou nos últimos dias. “Nós consideramos que a situação está sob controle. A Polícia Militar está pronta para responder a qualquer tipo de problema. É claro que estamos sempre inerentes a riscos. Mas, se ocorrer, trabalhamos para que a resposta seja rápida.”

    Facção

    De acordo com um relatório produzido pelo serviço de inteligência das forças de segurança de Goiás, o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que surgiu em São Paulo, é pivô da rebelião que resultou em mortes no Complexo Penitenciário de Goiânia. Pelo menos 577 integrantes do grupo continuam nas ruas e nas celas do estado, recebendo ordens de líderes de outras unidades da Federação. O coronel Edson afirma que, para combater esse problema, é necessário separar os apenados de acordo com o comportamento que eles apresentam durante o cumprimento das condenações. “Nós tivemos presos que fugiram de medo. Eles querem cumprir a pena. Temos que tratar cada um de acordo com sua periculosidade. Quem não quer se submeter à ordem do Estado temos que tratar com rigor. Mas quem quiser estudar, tiver bom comportamento tem que ter oportunidades”, destacou.

    Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que a superlotação favorece o crescimento das facções. De acordo com o levantamento, por conta da grande quantidade de presos, os detentos que estão em situação provisória, ou seja, ainda não foram julgados, acabam se misturando aos demais. Isso facilita o processo de cooptação pelo crime organizado. Além do PCC, outras facções atuam na região, o que causa rixas constantes e acirra embates.

    A pedido do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o órgãos de segurança pública, o governo estadual, a Defensoria Pública e o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) realizam uma força-tarefa para tentar conter a violência. O prazo do CNJ para que a situação seja controlada e que os processos pendentes dos detentos sejam analisados na Justiça termina em 9 de fevereiro. Neste dia, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), retorna ao estado para fazer uma avaliação da situação.

     

    “A Polícia Militar está pronta para responder a qualquer tipo de problema. É claro que estamos sempre inerentes a riscos. Mas, se ocorrer, trabalhamos para que a resposta seja rápida”
    Edson Costa, diretor da Secretaria de Administração Penitenciária

    Reflexo no DF

    A fuga de 11 detentos em Luziânia, no Entorno, acendeu o alerta das autoridades na capital do país. Mesmo em Goiânia, existem detentos oriundos do Distrito Federal nas unidades prisionais. Prova disso é que a Polícia Militar (PMDF) já prendeu três criminosos que estão entre os foragidos das penitenciárias goianas nos primeiros 10 dias do ano.

    Assim que constatou a fuga dos detentos em Luziânia, no sábado passado, autoridades do sistema penitenciário de Goiás informaram à Secretaria de Segurança do DF que os foragidos poderiam usar Brasília como rota de fuga ou esconderijo. O major Michello Bueno, da PMDF, informa que a corporação faz o mapeamento dos riscos sempre que ocorrem debandadas nos centros de detenção em áreas próximas à capital. “Alguns desses presos são da área do DF e três foram capturados. A Polícia Militar faz um mapeamento de possíveis rotas de fuga. As fotos deles estão espalhadas entre os policiais. Existe essa preocupação de que esse problema em Goiás resulte na circulação maior de criminosos nesta região”, afirmou.

    De acordo com informações da Polícia Civil do Distrito Federal, não existe a atuação do PCC nas cidades do DF. No entanto, alguns integrantes da organização foram capturados em Planaltina e alvos de mandados de prisão quando já estavam detidos, no Complexo Penitenciário da Papuda. No ano passado, a polícia, com auxílio do Ministério Público e do Ministério da Justiça, identificou que pelo menos 54 integrantes dessa organização circulam entre o DF e Goiás.

  • Banner BlackHawk!

  • Banner PoliceShop

  • Banner Source

  • Banner WileyX

  • Banner Zistos