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  • FACÇÕES CRIMINOSAS: Após operação, especialistas apontam falhas no combate a facções criminosas

    6 de dezembro de 2018

    Pelo menos 200 pessoas foram presas em ação do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas.

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    Especialistas são categóricos ao elencar os desafios para o combate a facções criminosas no país: é preciso quebrar a lucratividade desses grupos e mitigar as vacâncias sociais que permitem que o crime recrute integrantes paraa as quadrilhas. Segundo dois estudiosos de segurança pública ouvidos pelo Correio, investimentos em saúde e educação, por exemplo, dificultam o crescimento desses bandos.
    Ontem (4/12), uma megaoperação do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNOC) prendeu 200 pessoas, sendo três em flagrante, em 14 estados e no DF. A ação cumpriu 203 mandados de busca e apreensão. Os alvos são integrantes de seis quadrilhas, como a paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e a fluminense Comando Vermelho (CV). Sessenta e seis bandidos estão foragidos.
    Walter Marques, especialista em combate à violência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que mitigar o poder das quadrilhas exige esforços para romper o ciclo de lucros que ela mantém. “Elas envolvem milhões de dólares, são organizados em produção econômica internacionais e têm um nível de organização e estratégias muito sofisticados. Aliado a isso, existem muitas relações de poder paralelo”, destacou.
    Alvino Augusto de Sá, professor de Criminologia no Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), pondera que a atuação das facções exige ações de eficácia duradoura. “Depois dessas operações, o tráfico e o comércio de entorpecentes continuam. São medidas pontuais. O Estado tem de atacar as causas pelas quais as facções existem, mas isso não é de interesse e o crime continuará recrutando soldados para seu exército”, criticou.
    O subprocurador-geral de Justiça de São Paulo, Mário Luiz Sarrubbo, que coordenou o trabalho, acredita que a atuação dos grupos foi enfraquecida. “Essa operação é simbólica para mostrar que se o crime está organizado, o estado também está. O trabalho foi voltado primordialmente para desarticular as quadrilhas, com a prisão de integrantes-chave. Toda vez que se troca os nomes há um prejuízo, a substituição ocorre, mas muda o estilo de atuação e as relações de confiança”, comemorou.
    O delegado Thiago Boeing, diretor da Divisão de Repressão às Facções Criminosas da Polícia Civil do DF, explica que a atuação dos integrantes presos ontem era periférica na facção. “A maioria tinha atividades na parte de baixo da pirâmide da organização. Apenas um deles era responsável por repassar ordens para os demais e que mantinha ligação com as lideranças de outros estados”, explicou. No DF, seis pessoas foram presas no DF e outras seis continuam foragidas.
    Apesar da investida de ontem, o delegado garante que a atuação da facção criminosa na capital federal é “restrita” e “pontual”. “Como a repressão dos órgãos de segurança aqui é contínua, a penetração é pequena. Um exemplo disso é que as lideranças ficam em outros estados para não se arriscarem aqui”, concluiu.

    Pelo país

    A operação ocorreu no Acre, em Alagoas, no Distrito Federal, no Espírito Santo, em Goiás, no Mato Grosso do Sul, em Pernambuco, na Paraíba, no Paraná, no Rio de Janeiro, em Roraima, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, em São Paulo e no Tocantins.

    Os investigados

    Veja quais são e onde atuam as quadrilhas alvo da operação
    Facção UF de origem
    Primeiro Comando da Capital (PCC) São Paulo
    Comando Vermelho (CV) Rio de Janeiro
    Terceiro Comando Puro (TCP) Rio de Janeiro
    Amigo dos Amigos (ADA) Rio de Janeiro
    Primeiro Comando de Vitória (PCV) Espírito Santo
    Okaida RB Paraíba
    Fonte: GNOC

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